segunda-feira, 15 de março de 2010

A Triste Estória de uma Sabiá-una (Parte)



Triste Estória de uma Sabiá-una

Lá no fundo do sertão,
Na Ribeira do Acauã,
Existia um Bem-te-vi
Que cantava de manhã,
Tarde, noite e madrugada,
Procurando uma namorada
Para o seu ninho de lã.

Tocava frevo e maxixe,
Xote, xaxado e baião
Na sanfona e na viola
Bossa nova e samba-canção.
Dedilhava com maestria,
Mas um amor não aparecia,
Tinha triste o coração.

Fez versos para uma Rolinha
No alto da goiabeira,
Paquerou com a Tangará,
Tão pintadinha e faceira,
Foi à Pedra do Caju
Reconquistar uma Anu,
Mas levou outra carreira.

Foi então que um belo dia,
Num ganho de marmeleiro,
Encontrou uma Sabiá-una
Pedida, sem paradeiro.
Carente de fazer dó,
Com febre, tristonha e só,
Muita fome e sem poleiro.

Com sua melhor cantoria
Foi reanimando a donzela,
Entrou na mata, trouxe remédio,
Cuidou com carinho dela.
Não era a maior intenção,
Mas conquistou o coração
Da Sabiá-una tão bela.

(...)

* * *
Autor: Adriano Santori
Currais Novos, fevereiro de 2010.
Capa: Desenho do Autor
Contato: Adriano Santori
Rua da Magnesita, 55.
Currais Novos/RN.
CEP 59380-000
Email: adrianosantori@yahoo.com.br

Um comentário:

  1. Amei esse cordel, e acho que sei quem é essa sabiá-una.

    ResponderExcluir